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Vulcão do Fogo contemplado no projecto internacional VITA-MIA
São Filipe, 06 Jan (Inforpress) - O Pico do Fogo é um dos cinco vulcões activos que serão objecto de estudo nos próximos três anos no quadro do um projecto internacional VITA-MIA (avaliar e mitigar impactos sobre terrenos vulcânicos e actividades humanas), financiado pela União Europeia (UE) no valor de 3.5 milhões de euros (cerca de 400 mil contos.
O projecto, iniciado em Outubro de 2008, é implementando em Cabo Verde, Camarões, Indonésia e Filipinas por vários países europeus como a França, Itália, Portugal, Reino Unido, Noruega, Alemanha.
João Fonseca, do Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST), e que de 1997 a 2002 esteve à frente do projecto de Vigilância do Vulcão do Fogo, informou à Inforpress que o objectivo deste projecto é desenvolver ferramentas integradas para atenuar os riscos de uma actividade vulcânica, através de identificação da vulnerabilidade, avaliação, prevenção e gestão de crises.
Para tal, será desenvolvida uma metodologia de avaliação dos riscos e de mapeamento para abordagem multi-riscos do vulcão, passando pela identificação de zonas de maior risco dentro da área ameaçada, avaliar ordem de grandeza e dimensão de risco esperado e criar cenários de possíveis danos provocados por uma erupção.
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De acordo com o projecto, os fenómenos vulcânicos constituem uma ameaça para a sociedade humana e para o meio ambiente e é por isso que avaliação e gestão do risco constitui um requisito essencial e requer uma gestão eficiente, integrada e que envolve as autoridades locais e os cientistas.
O projecto será aplicado nos seguintes vulcões activos: Monte de Camarões (Camarões), Fogo (Cabo Verde), Merapi e Kelut (Indonésia) e Kanlaon (Filipinas).
O vulcão do Fogo, situado numa caldeira com nove quilómetros de largura, foi escolhido devido à posição geoestratégica de Cabo Verde no tráfego aéreo entre Europa, América do Sul, EUA e o continente africano, sendo que o parceiro privilegiado em Cabo Verde é o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG).
Após a última erupção em 1995, o Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST), implantou uma rede geofísica para a vigilância do vulcão e graças a esses esforços e equipamentos, uma actividade anómala foi identificada e foi dado um alerta à população em Setembro de 2000.
Segundo João Fonseca, o principal “ar-estrada” ligando a Europa a Sul-americana e EUA, a África tem mais de Cabo Verde como ponto importante e em caso de erupção esta estrada será perturbada, anotando que o acompanhamento do vulcão do Fogo é crucial para a segurança do tráfego aéreo entre a Europa e América do Sul, EUA e África do Sul.
Um segundo motivo, segundo aquele especialista, é o facto de existirem aldeias dentro e fora de caldeira e uma importante área agrícola, expostas aos perigos de lavas, existindo uma permanente ameaça de colapso na lateral da ilha, que poderá produzir um tsunami que ameaça toda a costa atlântica.
Assim, considera que o acompanhamento do vulcão não é apenas um assunto para as pessoas em Cabo Verde, mas também para toda a costa atlântica. Além disso, permite um conhecimento científico que vai ser interessante para comparar o comportamento dos vulcões “hotspot”.
Uma terceira razão tem a ver com a vulnerabilidade e a agricultura e terras produtivas no Fogo estarem em permanente ameaça pelas actividades vulcânicas numa ilha que sozinha produz mais de 30 por cento de toda agricultura de Cabo Verde e em caso de sua destruição terá consequências na segurança alimentar.
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O Projecto MIA-VITA vai instalar uma Câmara UVIR que permite combinar ultra-violeta e câmaras infravermelhas com abastecimento em tempo real, automatizado e contínuo da informação aos operadores (planeamento de emergência) e outros serviços via satélite ou através de ligações RF.
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Entretanto, os equipamentos instalados em Chã das Caldeiras que estão a funcionar e mesmo emitindo sinal de alerta não terão efeito porque, conforme o professor João Fonseca, o receptor dos dados, o Laboratório de Engenharia Civil, há muito que deixou de os receber, na sequência de actos de vandalismo ocorridos na Cidade da Praia.
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JR
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